BC fará mutirão para reduzir dívidas do brasileiro com bancos Fonte: Agência Senado

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Ao lado do senador Marcelo Castro (2º à dir.), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala na CMO
Roque de Sá/Agência Senado
Fonte: Agência Senado

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que ainda nesta semana será anunciado um mutirão para reduzir as dívidas dos brasileiros com instituições financeiras.

— Os bancos abrirão as agências além do expediente para fazer uma renegociação de dívida antes do Natal e do Ano Novo. Isso estará atrelado a um conteúdo de educação financeira e será uma oportunidade para que as pessoas entendam um pouco por que que se endividaram — afirmou ele, que participou nesta quarta-feira (20) de uma audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Segundo Campos Neto, o estímulo à educação financeira é atualmente uma das prioridades do banco, e o mutirão integra essa estratégia — que inclui um programa piloto ainda em teste, em Minas Gerais, e iniciativas para jovens nas escolas.

— Quem tem mais educação financeira tem menor inadimplência — declarou.

Conforme um estudo do Banco Central, as pessoas de renda baixa e de menor escolaridade são as que mais usam o cheque especial, crédito que cobra juros altos, e, em razão disso, também correm o risco de se endividar mais facilmente. Mudanças nas regras do cheque especial também estão em estudo, acrescentou Campos Neto.

Em setembro, de acordo com dados do banco, a inadimplência das pessoas físicas atingiu 5%, considerados atrasos acima de 90 dias no crédito livre, segmento em que os bancos têm autonomia para definir quanto emprestar. Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre estava em 51,3% ao ano.

Cenário econômico

Durante a apresentação na CMO, Campos Neto comentou o atual cenário econômico. Em resposta ao deputado Lucas Gonzalez (Novo-MG), ele afirmou que o dólar acima de R$ 4 decorre de vários fatores, inclusive instabilidade internacional, mas a oscilação do câmbio não compromete a percepção de risco do país, que não registra queda na Bolsa de Valores nem aumento da inflação.

Campos Neto voltou a defender a aprovação da proposta que prevê autonomia plena do Banco Central e mandato para a diretoria (PLP 112/2019).

— Em outros países, essa condição ajuda a manter a inflação baixa — argumentou.

Ele também pediu apoio para a proposta que institui um novo marco legal para o mercado de câmbio (PL 5.387/2019).

A CMO realizou a audiência pública com o presidente do Banco Central, um requisito da Lei de Responsabilidade Fiscal, em conjunto com três comissões da Câmara (a de Finanças e Tributação, a de Fiscalização Financeira e a de Desenvolvimento Econômico) e duas do Senado (a de Assuntos Econômicos e a de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle).

Fonte: Agência Senado

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