Análise: vitória na final mostra por que o Corinthians é o melhor time do Paulista

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O título que o Corinthians conquistará no próximo domingo (caso evite uma virada que redefiniria o conceito de milagre) será um daqueles momentos em que o futebol se faz justo: o encontro entre a taça e o melhor time do campeonato. A vitória de 3 a 0 sobre a Ponte Preta (melhores momentos no vídeo abaixo) em Campinas referendou uma ideia que foi desenhada ao longo do Paulistão – e que soava improvável no começo da competição: do Corinthians como uma equipe superior a todas as outras.

O leitor há de pensar no Palmeiras e sua constelação de reforços – ou no Santos e o futebol vistoso que se perdeu em algum momento na passagem de 2016 para 2017. Eles até podem ser, muito especialmente no primeiro caso, depósitos de talento maiores do que o Corinthians. Mas se falamos de time, time mesmo, time-time, time no sentido de organização, de ações coordenadas, de automatismo de movimentos, de coletividade, aí é preciso reconhecer o triunfo do Corinthians nestes primeiros quatro meses de temporada. E sobretudo de seu treinador, Fábio Carille.

 

São qualidades que o jogo deste domingo expôs com lupa. O Corinthians foi autoexplicativo em Campinas: ali esteve a personificação de um Corinthians montado aos poucos, com paciência, repetição, trabalho; de um Corinthians que se reconheceu como limitado e apostou na organização defensiva como primeira medida; de um Corinthians solidário; e, depois de tudo isso, de um Corinthians pronto a evoluir ofensivamente.

E evoluiu. O primeiro gol (veja os três no vídeo acima) contra a Ponte nasceu de uma jogada que não pode ser ocasional. Em cada toque na bola, os jogadores sabiam exatamente onde encontrar seus colegas. Romero, quando domina, poderia já forçar a jogada em Rodriguinho, mas prefere esperar Jô se desmarcar; Jô, quando recebe, poderia tentar o giro ou fazer o pivô para alguém vindo de trás, mas imediatamente, com a mesma naturalidade com que respira, dá um tapinha na direção de Rodriguinho – que aí completa para o gol. Jogada de time treinado. Jogada de time que se entende.

O gol saiu aos 13 minutos, quando já começava a ficar evidente o maior mérito do Corinthians na partida: a capacidade de anular o sistema ofensivo da Ponte Preta. Lucca, Clayson, Pottker – eles não conseguiram fazer nada. Foram amortecidos. Viram sua equipe ser anestesiada pela marcação e passar a jogar bolas aleatórias na área, em desespero – foram 28, contra 12 do Corinthians. Repare em um dado muito ilustrativo: a Ponte teve muito mais posse de bola (57% contra 43%) e acertou menos passes do que o Corinthians (221 contra 231). Ou seja, teve uma bola com a qual não sabia o que fazer.

E não sabia porque não havia espaços. Observe abaixo: em cinco segundos, a Ponte perde a bola duas vezes. Há sempre um bloco de jogadores do Corinthians em volta de quem recebe a bola. Não há tempo para pensar.

Carille montou sua equipe em um 4-2-3-1 extremamente móvel: com Gabriel e Maycon mais fixos, e à frente deles uma linha, da esquerda para a direita, com Romero, Rodriguinho e Jadson. Só que Jadson flutuava para a esquerda, Rodriguinho se mexia o tempo todo, Jô saía da área e abria espaço para Romero. E eles ficavam sempre próximos. Foi essa compactação que evitou espaços para a Ponte jogar.

No segundo tempo, a vitória se tornou mais confortável graças ao casamento da tranquilidade do Corinthians com a angústia da Ponte. No segundo gol, Rodriguinho se aproveita da desarrumação defensiva do time da casa e avança campo afora com a bola – até acionar Jadson, que manda chute preciso para o gol. No terceiro, o Corinthians é presenteado por falha infantil da Ponte, que permite que um arremesso lateral pingue na área e alcance a cabeça de Rodriguinho.

Números do jogo

  • Posse de bola: Ponte 57% x 43% Corinthians
  • Finalizações: Ponte 15 x 9 Corinthians
  • Chances reais de gol: Ponte 2 x 7 Corinthians
  • Bolas levantadas na área: Ponte 28 x 12 Corinthians
  • Escanteios: Ponte 15 x 4 Corinthians
  • Passes certos: Ponte 221 x 231 Corinthians
  • Passes errados: Ponte 43 x 29 Corinthians

A vitória de 3 a 0 deu ao Corinthians quase a certeza do título. Para ocorrer uma reviravolta, a Ponte precisaria pelo menos devolver o placar deste domingo – porém, o Timão não levou três gols em um mesmo jogo em 2017. Mais: no somatório dos cinco jogos do mata-mata do Paulista, só sofreu um gol. A missão da Ponte beira o impossível.

Por tudo isso, Fábio Carille foi injusto consigo ao dizer, depois do jogo, que o melhor time do Paulista é o Palmeiras. Não é. Não foi o que a prática mostrou. No Paulista, o melhor time foi o Corinthians, que passou incólume por todos os clássicos, que venceu todos os times da Série A ao longo da competição, que atropelou no primeiro jogo da final um time que tinha atropelado justamente o Palmeiras nas semifinais.

Fonte: G1/Ge
(Video: youtube.com.br/futlife)
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