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17/04/2019 16:50 oglobo.globo.com

Ex-presidente do Peru, Alan García se suicida após receber ordem de prisão no caso Odebrecht

Político, que atirou contra a própria cabeça, era um dos quatro ex-chefes de Estado do país acusados de ter recebido suborno da empreiteira brasileira

O ex-presidente do Peru Alan García se matou na manhã desta quarta-feira em Lima com um tiro na cabeça, depois de receber uma ordem de prisão preventiva emitida pela Justiça. García, de 69 anos, era um dos quatro ex-chefes de Estado do Peru investigados sob a acusação de terem recebido suborno da construtora brasileira Odebrecht. Ele negava ter se envolvido em atos de corrupção.

Uma equipe especial da polícia chegou às 6h30 à casa do ex-presidente no bairro de San Antonio, em Miraflores, com a ordem de prisão preventiva. García, então, subiu para o segundo andar dizendo que ia ligar para o seu advogado, contou o ministro do Interior, Carlos Morán. Em vez disso, o ex-presidente trancou a porta do cômodo. Quando os agentes tentaram entrar, ouviram o disparo. Ao entrar pela varanda, os policiais encontraram García sentado, com a marca de um tiro na cabeça.

Levado para o  Hospital Casimiro Ulloa, em Lima, ele foi submetido a uma cirurgia, mas sofreu três paradas cardíacas e morreu depois de três horas. Diante do hospital, apoiadores choravam a morte de García.

Orador habilidoso que liderou por décadas um partido tradicional do Peru, o Apra (Aliança Popular Revolucionária Americana), García governou o país como um nacionalista de 1985 a 1990 antes de se reinventar como um defensor do livre mercado e ganhar um novo mandato de cinco anos em 2006. No ano passado, ele pediu asilo político ao Uruguai depois que uma ordem judicial  o proibiu de sair do Peru para evitar que fugisse ou interferisse nas investigações do caso Odebrecht. Montevidéu não aderiu à tese de perseguição política e rejeitou o pedido.

O caso contra ele faz parte da chamada Lava-Jato peruana e avançou após a  delação premiada  do advogado brasileiro José Américo Spinola,que afirmou no Brasil ter pago US$ 100 mil a García a pedido da Odebrecht . García afirma que recebeu o dinheiro como pagamento de uma palestra feita na Fiesp, em São Paulo, sem nenhuma relação com corrupção.

— Se estou impedido de sair do país já é uma forma de prisão. Já não posso ir a nenhuma conferência, não posso assistir a nenhuma reunião. Estou, de alguma maneira, atado — disse o ex-presidente em entrevista recente.

Em 2013, García havia sido inocentado por falta de provas em uma primeira investigação envolvendo o pagamento dos US$ 100 mil, mas sua situação se complicou com revelações recentes de que o secretário da Presidência do seu último governo, Luis Nava, teria recebido US$ 4 milhões como propina da Odebrecht pela obra do metrô de Lima. O dinheiro seria destinado ao ex-presidente.

A ordem judicial de detenção desta quarta-feira também afeta Luis Nava e mais sete pessoas: o ex-ministro de Transportes Enrique Cornejo; José Antonio Nava, filho de Luis Nava; o empresário Miguel Atala; seu filho Samir Atala; Oswaldo Plasencia Contreras, ex-diretor executivo da Autoridade Autônoma do Trem Elétrico; Jorge Menacho, ex-secretário do Ministério de Transportes e Comunicações; e Raúl Antonio Torres, ex-chefe de Vias Nacionais do Ministério de Transportes.


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