Dobradinha Renê-Trauco dá certo e ”libera” Diego; apoio total tem até trégua a Cirino

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Trauco se posiciona na zona central enquanto ataca (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Trauco se posiciona na zona central enquanto ataca (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Zé Ricardo já sofria – e ainda sofre pressão – após atuações que indicaram um Flamengo previsível, frágil ante a retrancas adversárias e sem capacidade de improviso. Nesta quarta-feira, na vitória por 2 a 1 sobre o também defensivo Atlético-PR, tirou um coelho da cartola e merecidamente conduziu seu time à vitória. Liberou Trauco para atacar e criar e deixou Renê como principal responsável pela marcação no corredor que a dupla ocupou.

A entrada do peruano redesenhou o Flamengo em campo. O 4-3-3 de sempre deu lugar ao 4-4-2. Se dava combate tanto nos lados quanto por dentro, atacava com maior desenvoltura pela zona central. Dali descolou lançamento que terminou no primeiro gol do jogo, o de Guerrero. Preocupado em se aproximar de seu compatriota e de Diego, também participou do segundo, desta vez dentro da área. Arão cruzou, o camisa 13 abriu as pernas, e o 10 completou com lindo chute.

– Pouco antes da partida, soubemos que não teríamos Mancuello. Observamos ele (Trauco) em dois treinamentos bom rendimento dele jogando por dentro. Sabíamos que os meias do Atlético tentavam abrir a faixa central, pedimos para ele trabalhar por dentro. Esse entrosamento com Paolo é importante, já vem da seleção peruana. Ainda bem que deu certo – disse Zé.

Na marcação, Trauco e Renê sempre estiveram próximos (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Na marcação, Trauco e Renê sempre estiveram próximos (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Embora não atue tão bem defensivamente, o gringo esteve próximo de Renê quando o Flamengo era atacado e também não comprometeu no combate. O piauiense tinha atuação muito positiva até falhar no gol num lance de preciosismo. Apesar do vacilo, pode-se dizer que cumpriu com louvor a tarefa de frear os avanços de Nikão e Douglas Coutinho.

– Aproveitamos Trauco, que já havia jogado assim em seu ex-clube. Em treino, vimos que ele pode jogar na frente e ganhamos um belo marcador que é o Renê, que enfrentou o Nikão, que tem muita força. Pedi para ele antecipar o Nikão, e ele soube fazer isso muito bem – emendou o técnico.

Renê também comentou sobre como foi planejada a atuação bem-sucedida ao lado de Trauco.

– A gente já vinha treinando algumas vezes, eu e o Trauco. Não muitas. Ele (Zé) pediu que ajudasse mais o Trauco e desse liberdade para ele. E foi isso que tentei fazer e dei meu melhor – disse o 6.

Diego mais solto

Quase cortado da partida por conta de um desconforto muscular que o tirou dos treinos da semana, Diego foi de fato o segundo atacante do 4-4-2 de Zé Ricardo nesta noite. Com o astro poupado, como Zé Ricardo confirmou, Gabriel preocupou-se ainda mais com funções defensivas. Já o 10, desde a saída de bola, aproximou-se cada vez mais da área.

E, mesmo no sacrifício, mostrou que quanto mais perto do gol melhor. Entrou na área para marcar o seu e quase não fez o terceiro do Fla com bomba dada próxima à área rival, na etapa inicial.

– Diego por pouco não participa. Praticamente não foi a campo segunda e terça-feira. Tava com um pouquinho de desconforto, mas estava com muita vontade e dedicação. Pedi pra ele jogar bem próximo ao Guerrero para que não voltasse muito e se desgastasse ainda mais. Tiramos ele das batidas de bola parada e dos escanteios para poder poupá-lo um pouquinho mais.

Apoio até o final e mão estendida a Cirino

A torcida do Flamengo jogou junto como não fazia há muito tempo. Em redes sociais, as organizadas se comprometeram a cantar somente o nome do clube em detrimento de alusões às facções. Cumpriram quase que à risca.

Dos cantos tradicionais como “Ó, meu Mengão” e o hino do clube, gritos no melhor estilo “raiz”, aos mais novos e globalizados “Tema da Vitória” e “Vamos, Flamengo”, a torcida não parou um só minuto. O último, aliás, foi cantado fortemente após um bico de Donatti, que, com seriedade, recebeu muitos aplausos durante a partida.

Mosaico - Flamengo x Atlético-PR (Foto: Fred Gomes)

Mosaico – Flamengo x Atlético-PR (Foto: Fred Gomes)

Se já havia até marcado gol, como no mosaico em que Zico vazou a rede do Cobreloa com o auxílio de um torcedor que levava a bola, a torcida rubro-negra mostrou o total compromisso com a proposta de apoio incondicional após o gol rival ao gritar forte o hino e “Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe eô. Dá-lhe, Mengô!”.

O ponto forte da noite deu-se aos 27 minutos da etapa final. Zé Ricardo chamou Marcelo Cirino para aquecer e ouviu-se alguns sutis protestos. Poucos segundos se passaram e, assim que Gabriel começou a se encaminhar para o túnel, Cirino tornou-se tranquilamente o nome mais gritado da noite.

Marcelo Cirino foi muito aplaudido quando entrou no lugar de Gabriel (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Marcelo Cirino foi muito aplaudido quando entrou no lugar de Gabriel (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

– Hoje houve um detalhe muito importante que foi o que a torcida fez com o Cirino. Fiquei muito feliz. Dá motivação especial, esquenta a vontade dos jogadores. A torcida foi grandiosa, incrível. Eles gostam de todos – elogiou Guerrero, que teve suas palavras endossadas por Zé Ricardo.

Vitória confirmada, e os rubro-negros, que fizeram sua parte, partiram para o autoelogio. E, merecidamente, fecharam a festa com os cantos de “Que torcida é essa?” e “Festa na Favela”.

Fonte:G1/RO

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