Emojis: os pequenos símbolos que conquistaram o mundo

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Emojis acabam de entrar para a história da arte por serem incorporados à coleção do famoso Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA).

Shigetaka Kurita ainda não acredita: quando no final dos anos 1990 este japonês rabiscou 176 símbolos rudimentares no papel não imaginava que um dia seus “emojis” apareceriam em mensagens do mundo inteiro.

Shigetaka Kurita rabiscou 176 símbolos rudimentares no papel (Foto: Behrouz Mehri/AFP)

Shigetaka Kurita rabiscou 176 símbolos rudimentares no papel (Foto: Behrouz Mehri/AFP)

Os emojis acabam de entrar para a história da arte por serem incorporados à coleção do famoso Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), onde estão expostos atualmente em sua versão original.

“Criei o que eu mesmo queria ter, algo que acrescentasse sentimentos” às curtas e frustrantes mensagens escritas, explica o criador de 44 anos, que na época trabalhava na NTT Docomo, pioneira da internet móvel.

Para Kurita, “ter a honra” de estar exposto no MoMA é mais do que poderia imaginar, admite em entrevista à AFP em Tóquio.

Os emojis, termo que significa, literalmente, “imagem-letra” em japonês, são de certa forma “uma evolução dos Kanji (ideogramas), transformados em pictogramas coloridos na era digital”, considera Kurita, que também disse ter se inspirado nos desenhos de mangás.

Emojis acabam de entrar para a história da arte por serem incorporados à coleção do famoso Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) (Foto: Eduardo Munoz Alvarez/AFP)

Emojis acabam de entrar para a história da arte por serem incorporados à coleção do famoso Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) (Foto: Eduardo Munoz Alvarez/AFP)

“Por sua origem japonesa, não esperava que as pessoas no exterior adotassem os emojis”, afirma, ainda surpreso pelo sucesso de sua criação.

“Reafirmar o lado humano

“Do coração ao guarda-chuva, da taça de Martini ao “smiley”, “estas modestas obras de arte plantaram as sementes que permitiram o incrível desenvolvimento de uma linguagem visual”, resume Paul Galloway, um dos responsáveis do MoMA.

Doze anos depois de seu nascimento no Japão, a febre emoji tomou conta do mundo quando a Apple os integrou à biblioteca de caracteres do iPhone.

Desde então, eles se multiplicaram até superar os 1.800 símbolos, além de alegrar as conversas escritas. Um exemplo é o tenista Andy Murray, que contou sobre seu casamento no Twitter apenas usando emojis.

Este recurso das imagens parece mais necessário com a chegada da comunicação eletrônica “para reafirmar o lado humano em um universo profundamente impessoal e abstrato”, destaca Galloway.

Os emojis “permitem que uma mensagem informal transmita emoções e sentimentos que são difíceis de passar em conversas escritas”, confirma Marcel Danesi, professor de semiótica na Universidade de Toronto e autor de um livro sobre o tema.

“Permitem também comprimir a informação, ganhar espaço e, sobretudo, acrescentam um tom não conflituoso à mensagem”, como se “apaziguasse as relações, acabando com potenciais tensões”.

Eternos

“Um smiley no início e no final de uma mensagem garante que ela será lida em um estado de ânimo positivo, inclusive se a intenção é irônica ou de acusação”, continua. “Com um coração que mensagem poderia ser negativa?”, concorda Kurita.

Especialmente apreciados pelos mais jovens, os emojis se enriquecem a cada ano sob a égide do consórcio Unicode, com sede no Vale do Silício, responsável por codificar cada caractere para que possa ser lido em qualquer dispositivo eletrônico, “seja qual for a plataforma, programa ou idioma”.

Mas Danesi adverte que em alguns casos há uma “certa ambiguidade”, até o ponto de uma agência de tradução londrina decidir contratar um especialista para decifrar seu uso de acordo com o país.

Sobre sua perenidade, o semiólogo admite não estar “seguro de que os emojis como conhecemos hoje irão durar para sempre”. Entretanto, o nascimento de “uma escrita híbrida” que mistura signos clássicos e símbolos visuais é um “marco”, afirma.

O homem por trás dos emojis, que atualmente ocupa um alto cargo na empresa japonesa de serviços on-line Dwango, quer acreditar que suas criações ficarão para a posteridade.

“Me pergunto como serão em 50 ou 100 anos. Mas não acredito que desaparecerão”.

Por France Presse

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