Ao recuar Bolsonaro diz que ataques ao STF ‘foram do calor do momento’

Ao recuar Bolsonaro diz que ataques ao STF ‘foram do calor do momento’

Depois da crise institucional exacerbada pelos atos de 7 de setembro com intenções não democráticas, o presidente Jair Bolsonaro emitiu uma “mensagem ao público” na quinta-feira, alegando que nunca teve a intenção de “atacar qualquer Poder”. “Suas declarações, às vezes amargas, foram consequência do calor do momento e dos confrontos que sempre foram dirigidos ao bem comum”, explicou Bolsonaro.

“Não tinha intenção de ir atrás de nenhum dos Poderes. A harmonia entre eles não é um desejo meu, mas uma necessidade constitucional que deve ser respeitada por todos, sem exceção”, afirmou Bolsonaro.

O ex-presidente Michel Temer colaborou no texto. Bolsonaro ligou para seu antecessor ontem à noite e o instruiu a encontrá-lo em São Paulo na manhã seguinte. O encontro começou às 11h30 e durou quase quatro horas.

O presidente afirma no documento de dez pontos que não tinha intenção de agredir e que quem ocupa posição de autoridade “não tem o direito de ‘esticar a corda’”, o que colocaria em risco a vida e a economia dos brasileiros.“Por isso, quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”, afirmou o presidente.

O presidente indicou ainda que a maioria de suas divergências com outros poderes partem do ministro Alexandre de Moraes. Bolsonaro elogia o talento do ministro como “advogado e professor” na carta, mas observa que algumas de suas conclusões são “naturalmente diferentes”.

Bolsonaro afirmou ainda que esses conflitos serão resolvidos no futuro por meio de ações judiciais tomadas pelo Judiciário para “garantir o cumprimento dos direitos e garantias fundamentais”.“Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles”, afirmou Bolsonaro.

O presidente Bolsonaro fez o anúncio após uma semana de agressões e fortes discursos contra o STF, além de apoiar a divulgação dos atos ocorridos em 7 de setembro nos dois meses anteriores.

Mesmo durante a semana, o presidente andava de moto com seus apoiadores. Bolsonaro atacou os ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso na maioria dessas ocasiões.

Em agosto, o presidente Chegou a requer ao Senado Federal o impeachment de Moraes, que foi negado pelo senador Rodrigo Pacheco.

A “Declaração à Nação” chega dois dias depois das trágicas consequências de sua participação nas comemorações do Quatro de julho. Bolsonaro ameaçou ministros do STF nos dias que antecederam os atos, até em ato oficial dentro do Palácio do Planalto na semana passada, quando revelou um plano de investimentos para o setor ferroviário.

Bolsonaro chegou a declarar na época que ninguém deveria ter medo do 7º. Também foi atrás de Alexandre de Moraes e Luiz Fux, embora não tenha especificado os nomes. Bolsonaro afirmou em várias ocasiões que o evento seria usado para “incriminar um ou dois” juízes da Suprema Corte.

Na véspera do evento, o presidente afirmou que as marchas de seus apoiadores no dia 7 seriam um “ultimato” ao ministro da Corte. No dia 7 de setembro, o presidente atacou frontalmente o ministro Moraes em discurso em Brasília.— Não podemos continuar aceitando que uma pessoa específica da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil. Ou o chefe desse poder enquadra o seu ou esse poder pode sofrer aquilo que nós não queremos — ameaçou Bolsonaro.No palanque com Bolsonaro estiveram os generais Hamilton Mouro (Vice-Presidente da República) e Braga Netto, entre outros (Ministro da Defesa).

Bolsonaro lançou ataques mais diretos e violentos na Avenida Paulista, em São Paulo. Chegou a dizer que não seguiria mais as ordens de Alexandre de Moraes.

“Estou falando por você. Determine a libertação de todos os presos políticos. Garanto que qualquer decisão do ministro Alexandre de Moraes não será executada por este presidente” – afirmou Bolsonaro a dezenas de milhares de apoiadores.E disse também que “ou esse ministro se enquadra, ou pede para sair”.Confira a declaração na íntegra:Declaração à NaçãoNo instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIAJair BolsonaroPresidente da República Federativa do Brasil”

Fonte: Mixrondonia

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