Atleta paralímpico brasileiro protesta no pódio após ter ouro revogado

Atleta paralímpico brasileiro protesta no pódio após ter ouro revogado

 paratleta brasileiro Thiago Paulino protestou no pódio do arremesso de peso da classe F57 nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, neste sábado (4), após ter a medalha de ouro revogada e ser declarado 3º colocado na prova.

Paulino protestou e expressou sua indignação com a decisão durante toda a cerimônia, da chegada à saída do pódio.

O brasileiro subiu ao pódio primeiro, como fazem todos os terceiros colocados, mas, ao passar pelo centro do tablado, na posição do medalhista de ouro, pisou firme e apontou para o chão, como se marcasse sua posição de contrariedade à decisão final.

Com o gesto, sem dizer nenhuma palavra, expressou que, na verdade, era ele o legítimo medalhista de ouro.

Ainda durante a cerimônia de premiação, Paulino mostrou sua revolta com o ocorrido e sinalizou negativamente várias vezes, inclusive quando recebeu a medalha de bronze. No momento das fotos, abaixou a cabeça e ergueu o punho direito

Entenda a polêmica decisão da prova

Cerca de 10 horas após conquistar a medalha de ouro no arremesso de peso (classe F57) Paulino teve a medalha revogada após um recurso da China no juri de apelação que fez dois arremessos do brasileiro – ambos acima de 15 metros, que garantiriam também o recorde nas Paralimpíadas – serem invalidados.

Com o novo resultado da final, a melhor marca validade de Paulino foi 14,77 m, enquanto o ouro passou a ser do chinês Guoshan Wu, com 15,00 m, e a prata ficou com o brasileiro Marco Aurélio Borges, com 14,85 m.

Paulino bate no peito e mostrou sua revolta com decisão sobre medalha de ouro

“Não tem como explicar. Não tem o que falar, o mundo sabe quem é o verdadeiro campeão. Infelizmente tem coisas que fogem do nosso poder. A gente fez o nosso trabalho. A gente fez um ciclo de cinco anos perfeito, ganhando todas as competições”, disse Paulino ao Olimpíada Todo Dia.

“Saio com esse gosto amargo. Difícil achar palavras para expressar o que eu tô sentindo. Tenho até que ser comedido para não falar besteira e não prejudicar a minha imagem e do país. Eu não vou abaixar a cabeça para ele. Ele não, eles. Porque ele (o chinês) é o menos culpado disso tudo. Mas infelizmente eu não vou baixar a cabeça”, finalizou Thiago Paulino.

Juízes validaram marcas durante competição

Paulino foi o último a competir e sabia a marca que precisava para vencer: se conseguisse arremessar para além de 15 m, o brasileiro ficaria com o ouro.

E isso aconteceu mais de uma vez. Com a vantagem sobre os demais participantes, o paratleta abriu mão de algumas tentativas e saiu para comemorar sua medalha de ouro e seu recorde paralímpico.

Após mais de 10 horas do fim da disputa, a China entrou com recurso e conseguiu invalidar parte da prova do brasileiro, deixando Paulino com a medalha de bronze.Paulino bate no peito e mostrou sua revolta com decisão sobre medalha de ouro / Matsui Mikihito – 4.set.2021/CPB

“Quando eu vi que tinha dado a medalha de ouro, abdiquei dos meus três últimos arremessos. Se o árbitro tivesse queimado os meus dois arremessos, que depois foram contestados, eu teria continuado na prova e, com certeza, buscaria essa medalha porque eu estava muito bem preparado”, explicou Paulino.

“Infelizmente tem coisas que fogem da nossa alçada. [Só posso] agradecer a equipe do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que fez todo o possível para que isso se revertesse, mas não depende deles”.

CPB tenta, mas não consegue reverter decisão

Na manhã deste sábado (4), em Tóquio, a organização chegou a adiar a cerimônia de pódio da prova em mais de 1 hora por conta do recurso da China. Sabendo do novo resultado da competição, o CPB tentou reverter e manter a medalha de ouro, mas não obteve sucesso.

“A China protestou durante e depois da prova, a arbitragem não acatou. China foi ao júri de apelação, que é uma instância do IPC, o júri recebeu e deu provimento”, informou o Comitê Paralímpico Brasileiro.

“O Brasil apresentou imagens das transmissões de TV dos arremessos em que não havia qualquer indício de infração no movimento de arremesso do atleta, mas a alegação do júri é que o vídeo acusatório seria de outro ângulo, mas se recusou a mostrar o vídeo que embasou a decisão.”

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de  CNN Brasil

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