Caí em um golpe digital. E agora?

Caí em um golpe digital. E agora?

A pandemia provocou um salto no número de golpes aplicados por meios digitais. Com isso, têm se tornado cada vez mais comuns os relatos de pessoas que caíram em esquemas criminosos ao usar aplicativos de mensagens ou redes sociais. Embora a prevenção seja sempre a melhor saída, os usuários também podem tomar providências se forem vítimas de uma fraude desse tipo, com o objetivo de reduzir os danos. Cada caso requer um conjunto de ações diferentes, uma vez que há também uma variedade de estratégias adotadas pelos golpistas. 

Para explicar o que fazer se você for vítima de um crime desse tipo, a Lupa ouviu especialistas e consultou cartilhas de entidades especializadas, como a Polícia Civil de Santa Catarina, além de analisar as recomendações indicadas nos sites de aplicativos de mensagem e nas redes sociais. Veja, a seguir, quais medidas precisam ser tomadas de acordo com o tipo de fraude:

Golpe que solicita dados

Um dos golpes mais populares na internet, atualmente, é o uso de falsos cadastros para o roubo de informações pessoais. Nele, o golpista tenta fazer com que a vítima clique em um link e responda a algumas perguntas, fornecendo assim informações pessoais. 

Desde o início da pandemia e por causa do agravamento da crise econômica, criminosos passaram a usar cadastros de supostos benefícios do governo como “isca” para esse tipo de golpe. Por exemplo, um esquema criminoso deste tipo indicava, em abril, que o governo federal estaria dando um vale-gás no valor de R$ 110 para pessoas de baixa renda, aposentados, beneficiários do auxílio emergencial e do Bolsa Família. Golpes similares também oferecem vagas de emprego, ou prêmios, geralmente usando o nome de grandes empresas para dar um ar de credibilidade.

Caso você tenha clicado em algum desses links, é preciso tomar algumas precauções, ainda que não tenha ocorrido nenhum fato mais grave. Segundo o presidente da ONG SaferNet Brasil, Thiago Tavares, é importante trocar todas as senhas utilizadas em redes sociais, e-mails e sites que exijam cadastro. Também é necessário adotar a verificação em duas etapas, caso isso ainda não tenha sido feito. Essa é uma medida de segurança disponível na maioria das redes sociais e aplicativos de troca de mensagem, e coloca uma segunda camada de proteção no acesso a esses perfis. Outro passo sugerido pelo especialista é a realização de uma varredura de máquina (computador ou celular) com um programa antimalware atualizado.

Contudo, caso tenha acontecido algo mais grave, medidas adicionais são necessárias. Se dados bancários ou de cartão de crédito foram fornecidos, é necessário entrar em contato o mais rápido o possível com a operadora do cartão ou com o seu banco, como explica Tavares. Eles poderão ajudar com medidas de segurança neste momento.

Além disso, existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos em algumas partes do Brasil. No caso, por exemplo, do sequestro de perfis pessoais ou do acesso e uso de dados bancários, o usuário pode registrar um boletim de ocorrência nesses locais. No site da SaferNet há uma lista com a localização de algumas unidades. Caso não consiga encontrar uma delegacia na sua região, você pode registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.

Normalmente esses golpes também pedem para que a pessoa compartilhe o link malicioso com grupos e outros usuários. Quem tiver compartilhado o link em grupos de WhatsApp ou outra rede social deve avisá-los de que se tratava de uma fraude. Em seguida, é preciso explicar o que devem fazer se tiverem preenchido as informações solicitadas pelos bandidos.

O golpe do vale-gás citado é um típico ataque de phishing — quando os criminosos realizam fraudes eletrônicas para obter dados pessoais do usuário. Esse tipo de fraude teve um aumento de 100% nos dois primeiros meses de 2021, segundo levantamento publicado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que identificou um aumento de crimes desse gênero durante a pandemia da Covid-19. Eles estavam entre os golpes mais aplicados no começo do ano.

Golpes de compra online

Segundo o professor associado da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fabrício Bertini, existem duas maneiras de ocorrerem golpes de compra online. Em alguns casos, os criminosos conseguem interceptar dados bancários durante a aquisição de um produto. Em outros, porém, eles compram essas informações a partir de um vazamento causado por um ataque cibernético. Em ambas as situações, os dados são utilizados para realizar compras no cartão do usuário que sofreu o golpe. Se isso ocorrer, o professor Fabrício Bertini indica que é necessário realizar uma reclamação no próprio site em que o produto foi adquirido. Além disso, Bertini afirma que o cliente também pode realizar uma reclamação no Procon, órgão que defende os direitos do consumidor. 

Também é possível abrir um boletim de ocorrência pela internet por estelionato. “Para comprovar isso, é preciso provar que o criminoso obteve vantagem ao prejudicar uma pessoa por meio de um esquema fraudulento que a induziu ao erro. Se o crime tiver envolvido até 40 salários-mínimos, é indicado abrir uma ação no Juizado Especial de Civil”, afirma. 

Golpe do WhatsApp clonado

Existem casos ainda em que o WhatsApp de um usuário é clonado para tentar aplicar golpes nos familiares e amigos presentes na lista de contatos, normalmente pedindo dinheiro. Para realizar a clonagem, criminosos precisam instalar o seu WhatsApp em outro aparelho. Nestes casos, eles entram em contato e normalmente inventam uma história para conseguirem identificar qual foi o código de confirmação de SMS que chegou no seu celular. Caso a pessoa informe esse número, eles conseguem entrar no seu WhatsApp em outro aparelho. Por essa razão, se você receber uma ligação de um desconhecido pedindo um código vindo por SMS, desligue na hora. O mesmo vale para mensagens.

Em um primeiro momento, o indicado é avisar para seus amigos e familiares que o seu WhatsApp foi clonado. Como o criminoso tem o seu número e sua foto, pode se passar por você e entrar em contato solicitando dinheiro ou outras informações. Caso você publique o aviso em outra rede social, por exemplo, isso pode impedir que pessoas caiam no golpe. 

Também é importante avisar para o próprio WhatsApp o ocorrido. Pelo e-mail support@whatsapp.com é possível fazer essa denúncia. 

Caso suspeite que alguém entrou indevidamente em sua conta no WhatsApp Web, o usuário pode desconectar todos os aplicativos. Para isso, basta seguir o passo a passo disponível no site do aplicativo de mensagem.

A clonagem é apenas um tipo de golpe feito pelo WhatsApp. Existem ainda outros que são menos elaborados. Às vezes, um criminoso utiliza um número diferente com uma foto de um usuário para entrar em contato com familiares e amigos dessa pessoa, pedindo dinheiro ou informações. Esse caso é mais simples de se resolver, já que o WhatsApp não foi realmente invadido. Basta denunciar o perfil, clicando no número. Uma mensagem do WhatsApp indica que a conversa mais recente será enviada para uma equipe da empresa. 

Em ambos os casos mencionados, a Polícia Civil de Santa Catarina também indica que o usuário realize um boletim de ocorrência em delegacia.

Voltarenção

Vale sempre lembrar que a prevenção de golpes é a melhor saída para evitar esses casos. A definição de senhas seguras é essencial para conseguir impedir esquemas criminosos online. Especialistas recomendam a utilização de um gerenciador de senhas para criar e lembrar de todas as combinações utilizadas em e-mails, redes sociais e sites. 

Além disso, como dito anteriormente, a configuração da verificação em duas etapas também é importante para evitar acessos indevidos de terceiros. Ela é uma segunda camada de segurança na qual o usuário precisa realizar a autenticação duas vezes (colocando duas senhas) para entrar em um aparelho diferente. O código desta segunda senha é enviado por e-mail ou SMS já cadastrados anteriormente, avisando o usuário quando sua conta está tentando ser acessada. Com isso, ele pode liberar, caso seja o responsável pela solicitação, ou bloquear. É importante usar essa camada extra de segurança em todos os seus e-mails e contas em redes sociais ou aplicativos de mensagem.

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de Lupa

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