Cientistas do RS pesquisam tratamento alternativo inédito para asfixia neonatal

Cientistas do RS pesquisam tratamento alternativo inédito para asfixia neonatal

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pode indicar uma alternativa para o tratamento da asfixia neonatal. Os resultados preliminares do trabalho inédito no mundo foram publicados, no final de 2020, na revista científica francesa Neuroscience, referência internacional na área de neurociências.

A hipóxia-isquemia é causada pelo sufocamento de bebês, quando há doenças durante a gestação, o descolamento de placenta ou enrolamento do cordão umbilical no pescoço da criança. Além de provocar danos às células do sistema nervoso, o episódio pode causar problemas motorescegueira e surdezparalisia cerebral e até a morte do recém-nascido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de 900 mil a 1 milhão de nascidos por ano sofrem dessa condição.

A pesquisa da doutoranda em Fisiologia Isadora Tassinari (veja vídeo acima) foi realizada em ratos de laboratório, na Unidade de Experimentação Animal do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), vinculado à UFRGS.

Os testes apontaram para a redução das lesões causadas pelo sufocamento ao administrar, no organismo dos animais, o lactato. A substância é semelhante ao ácido lático, produzido nos músculos após atividades físicas.

“Esses resultados são preliminares, mas são bastante promissores”, disse Isadora.

O estudo ainda não realizou testes em humanos. A hipótese deve ser analisada por uma universidade da Inglaterra, para onde Isadora deve ir no segundo semestre.

Os responsáveis pela pesquisa ainda não estimam quanto tempo deve levar para a aplicação prática do tratamento. No Brasil, o trabalho contou com ajuda de R$ 10 mil do HCPA.

Tratamento alternativo

Atualmente, o tratamento usual de asfixia neonatal é o resfriamento do corpo do bebê a uma temperatura 33,5º C por 72 horas, logo após o parto. A técnica faz uso de colchões e travesseiros térmicos e de um banho gelado. O procedimento tem o objetivo de diminuir a atividade metabólica do recém-nascido, reduzindo também a necessidade de oxigênio para o corpo.

Segundo o médico do Serviço de Neonatologia do HCPA Renato Procianoy, a técnica é utilizada há quase dez anos na unidade em uma média de 12 pacientes por ano.

“É uma técnica que requer um cuidado todo especial, de terapia intensiva e laboratorial. Depois de 72 horas, a gente reaquece o bebê e volta a tratar de uma forma como se ele não tivesse feito hipotermia. Isso tem sido mostrado, no mundo inteiro, que melhora o prognóstico. Esses bebês têm menor risco, mas [a hipotermia] não elimina completamente as sequelas da asfixia”, disse.

Formada em Nutrição, Isadora Tassinari começou a estudar o tema quando ingressou no mestrado. Sua primeira pesquisa foi sobre agentes neuroprotetores, entre eles o lactato. Já no doutorado, a cientista prosseguiu os estudos em animais.

Segundo Isadora, apesar da substância ser produzida por seres humanos, ela seria aplicada externamente para o tratamento.

“O lactato, a gente produz de forma endógena, a gente produz no nosso corpo. Mas a nossa ideia seria introduzir, trazê-lo como uma terapia exógena”, comentou.

Um dos orientadores da pesquisa é Luciano Stürmer de Fraga, chefe do departamento de Fisiologia da UFRGS. O professor já estudava os impactos da falta de oxigênio em caracóis, buscando possíveis resultados para o tratamento de humanos.

“Os fundamentos dos trabalhos eram os mesmos, entender como manter a sobrevivência dos neurônios, as células nervosas, frente a situações que levam a falta de oxigênio para essas células”, explicou.

Imagens dos cérebros dos ratos (veja abaixo) mostram os resultados do tratamento. Na primeira coluna, aparece a amostra de controle de animais saudáveis. Na segunda, o resultado da administração de lactato também em ratos saudáveis. A terceira coluna mostra as lesões da asfixia. Já a última exibe o resultado da aplicação da substância em animais sufocados.

Imagens mostram resultado dos testes em ratos de laboratório — Foto: UFRGS/Divulgação

Imagens mostram resultado dos testes em ratos de laboratório — Foto: UFRGS/Divulgação Fonte: https://noticiageral.com – com informações de G1

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