Confinamento bovino atrai investidores em Porto Velho; Entenda como acontece o ciclo da pecuária intensiva

Confinamento bovino atrai investidores em Porto Velho; Entenda como acontece o ciclo da pecuária intensiva

A pecuária intensiva se tornou uma ferramenta importante para quem deseja aumentar a produtividade do rebanho de corte em Rondônia. O sistema usa o confinamento, a inseminação artificial e a nutrição dos animais para manter ou melhorar a produtividade do rebanho durante todo o ano.

A Fazenda Serra Verde, localizada a 40 km de Porto Velho, é um exemplo de como a técnica ajuda no avanço do Agro no norte do estado. Após implementar o sistema de Integração Lavoura-Pecuária, os produtores tiveram que avançar na tecnologia para produzir mais carne por área.

“Há 20 anos era uma cultura ter a criação de gado extensivo sem nem um melhoramento genético, sem nenhum melhoramento de pastagem e era normal. Ao longo do tempo, com a chegada da agricultura, a gente precisou também se adaptar à nova realidade”, explicou Adélio Barofaldi, CEO do Grupo Rovema e responsável pela fazenda.

No início, o plantio de grãos como soja e milho, era feito em uma área de 400 hectares e aumentou gradativamente com o passar dos anos. Na safra 2021/2022 a expectativa é de cultivar grãos em 4,5 mil hectares de áreas de pastagem. Para o engenheiro agrônomo Marciel Viana, o desafio para a região é encontrar sementes, principalmente de milho, que sejam adequadas com altitude da região de Porto Velho.

“A nossa fertilidade aqui é muito baixa, tem que usar uma tecnologia tanto de nutrição, como calagem muito boa. Milho a gente ainda está em desenvolvimento, de achar o material certo, um material que responda a essa baixa altitude”, disse.

Genética de animais

Outro setor que demanda investimentos em tecnologia é o da genética dos animais. Na fazenda, são usadas técnicas como inseminação artificial, fertilização in vitro, além de programas de seleção de rebanho.

Para Rodrigo Junqueira, médico veterinário, todos os protocolos implantados há mais de 20 anos na propriedade, direcionam para a melhoria na produção de carne.

“A nossa função nesse ciclo é promover o melhoramento genético através de matrizes superiores que vão produzir animais com alto potencial de ganho de peso. Antigamente, esses animais eram abatidos com três ou quatro anos de idade, hoje, quando você alia melhoramento genético e nutrição, conseguimos abater esses animais por volta de dois anos”, explicou.

Confinamento

Um levantamento feito por uma empresa de consultoria e investimentos apontou que mais de 190 mil bois vivem em sistema intensivo em Rondônia. Segundo a empresa, houve um aumento de 3,6% de animais confinados em 2021, em comparação com o ano anterior.

Cerca de 1,3 mil bois estão confinados na propriedade, mas a capacidade é de 2,6 mil animais em uma linha de cochos. Recentemente, obras de melhoria começaram a ser realizadas e quando tudo estiver concluído, 5,2 mil cabeças de gado poderão ser confinadas.

“O que a gente encontra em Rondônia é um gado de extrema qualidade, um produtor enxergando a necessidade de intensificar, de entrar lavoura naquelas fazenda para produzir alimento e cada vez mais, esse alimento ser melhor aproveitado e transformando esse grão em carne”, disse Felipe Dahas, coordenador do Confina Brasil.

Indústria

Indústria de nutrição animal em Rondônia — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

A partir da demanda da fazenda, veio a necessidade de produzir a alimentação servida nos cochos. O grupo investiu na industrialização dos grãos para a nutrição animal.

“Todo grão vem para a empresa e então você faz a pesagem, posteriormente a classificação, a secagem e a armazenagem. Daí para frente, é o processo de industrialização do produto. Você tem o controle de todo o processo produtivo, onde você vai controlar a quantidade dos produtos, dentro de boas práticas de fabricação. Você garante que o boi tenha o melhor ganho de peso, a melhor performance, o melhor rendimento de carcaça”, explicou Leonardo Bosco, gerente comercial.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Mercado

A ração produzida na fábrica, não abastece somente a fazenda. Henrique Costa Filho, zootecnista, presta consultoria animal e é responsável por trazer tecnologias e tendências para o estado.

“A gente foi buscar essas tecnologias no mercado e trazer para dentro dos nossos produtos, não só para os animais da fazenda, mas para todos os animais do estado e adjacentes. A gente traz tecnologias que imprimam maior ganho de peso, maior rentabilidade”, comenta.

G1

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