Conheça três projetos que dão suporte para mulheres vítimas de violência doméstica em Porto Velho

Conheça três projetos que dão suporte para mulheres vítimas de violência doméstica em Porto Velho

Dor, vergonha, impotência são alguns dos sentimentos predominantes nas vítimas de violência doméstica. Em Rondônia, mais de 7 mil boletins de ocorrência desse tipo de crime foram registrados somente neste ano.

A mulher que está em um relacionamento abusivo, geralmente, vivencia um ciclo de violência composto por três fases: tensão, agressão e lua de mel. Esse ciclo tende a se repetir diversas vezes dentro da relação.

Os crimes de ameaça, difamação, calúnia, injúria e lesão corporal também fazem parte do rol violência doméstica.

Para tentar proteger essas vítimas, vários projetos foram criados ao longo dos anos em Rondônia. Conheça três deles abaixo:

1- As Guerreiras da Leste

Tereza Reis, fundadora e presidente da associação localizada na zona leste de Porto Velho, diz que o projeto ‘As Guerreiras da Leste” foi criado em 2013, após ela encontrar forças para cessar o ciclo de violência que vivia.

Após deixar o ex-companheiro e agressor, Tereza decidiu ajudar outras mulheres que vivem a mesma realidade.

Na Associação As Guerreiras da Leste são recebidas mais de 100 mulheres por mês. Na sede são oferecidos cursos de capacitação, encaminhamento ao atendimento psicológico e orientação para confecção de registro policial e o pedido de medidas provisória às vítimas de violência doméstica.

Os trabalhos feitos na associação são voluntários e o projeto também conta com doações de empresários.

“Na nossa associação a gente busca oferecer todo apoio para essas mulheres vítimas de violência doméstica. Eu sei na pele que não é fácil cessar o ciclo da violência e o quanto é necessário o apoio que vem de fora. O não julgamento, o empoderamento e a autonomia econômica são essenciais”, pontua.

Mais de 100 mulheres são atendidas na associal Guerreira da Leste — Foto: Jheniffer Núbia/G1

Mais de 100 mulheres são atendidas na associal Guerreira da Leste — Foto: Jheniffer Núbia/G1

2 – Filhas do Boto Nunca Mais

O projeto não-governamental realiza um trabalho de conscientização e ampara vítimas da violência doméstica em Porto Velho.

Além do apoio, o trabalho de empoderar as vítimas, segundo a fundadora e presidente Anne Cleyanne, é fundamental para que elas voltem a se ver como protagonistas de suas vidas.

“Com as mulheres sendo empoderadas, com certeza conseguimos desenvolver as famílias e ter uma justiça social”, diz a presidente.

Durante a pandemia de coronavírus, a Ong Filhas do Boto Nunca Mais focou na restruturação de uma sala de atendimento para mulheres, vítima de violência, em uma sala da Central de Flagrantes da capital.

“Entendemos a necessidade que a vítima tem de ter um atendimento mais humanizado, diante da situação traumática. Existem mulheres, mães e idosos que não denunciam por medo e vergonha. Medo de chegar lá e ficar cara a cara com o agressor. Até então, ambos ficavam no mesmo local. Essa sala oferece essa segurança e alívio, além de de não precisar estar junto [do agressor]”, conta Anne.

A lenda do boto (um peixe da região Norte do país) é mais presente nas comunidades ribeirinhas e geralmente é contado para justificar uma gravidez, que não foi planejada ou fruto de estupro.

O professor de história Célio Leandro, mestre pela PUC, explica sobre a lenda. “O conto diz que o boto se transformava em um rapaz elegantemente vestido de branco e sempre com um chapéu para cobrir a grande narina. Ele encantava as meninas, as engravidava e depois voltava para o rio”, conta.

Sobre a Ong, Filhas do Boto Nunca Mais, o mestre destaca a importância do amparo às mulheres que a procuram e ressalta o grupo social pela relevância na prestação da assistência psicológica.

3 – MP Presente: Mulher Protegida

A pandemia paralisou alguns trabalhos realizados por órgãos que faziam a ponte entre a vítima de violência doméstica e a busca pelo seus direitos.

Com as atividades retornando aos poucos na pandemia, a necessidade de reconstruir essa ponte é crucial para que a mulher seja mais que amparada, seja ouvida, acolhida, orientada e passe a ter novamente um elo, fortalecido de confiança.

A reconstrução dessa ponte é o foco do projeto “MP Presente: Mulher Protegida”, criado em 2019 pelo Ministério Publico de Rondônia (MP-RO) e tem o objetivo de viabilizar e dar apoio às vítimas de violência doméstica no baixo, médio e alto Madeira.

Nessas localidades, os índices de notificação de violência são abaixo do esperado, o que preocupa o órgão. A ausência institucional para o acolhimento, orientação e amparos para as vítimas impedem a quebra do ciclo.

Com o retorno das atividades presenciais do MP, o promotor Hérverton Alves de Aguiar, que estava como gestor e faz parte da construção da cartilha do projeto, destaca que a busca pelo tato (toque), o olho a olho, novamente com as vítimas de violência doméstica, é fundamental para a reconstrução dessa ponte que leva confiança.

“Precisamos resgatar a confiança dessas mulheres e reconstruir essa relação. Por meio do contato, palestras de conscientização e também buscar apoio na própria comunidade, seja por meio de associação de moradores, igrejas, Corpo de Bombeiros, tudo é válido para juntos voltarmos a combater a violência doméstica”, diz o promotor.

A conscientização é a arma principal do projeto. Por meio de “perguntas-chaves’ e também do apoio a essas mulheres nas localidades, o “MP Presente: Mulher Protegida” forma uma rede de defesa às vítimas.

Essa rede, segundo a promotora Tânia Garcia Santiago, leva o nome na cartilha do projeto e pode contar com denúncias anônimas de quem presenciar alguma violência contra a mulher.

É muito difícil a interrupção do ciclo da violência ocorrer a partir da vítima. O mais comum é que a imposição de limites e a interrupção desse ciclo ocorra por intervenção de terceiros. Também há muitos trabalhos que são bem sucedidos nas igrejas e ajudam casais com conselhos. A ajuda terapêutica, o agir de algum familiar ou um amigo também são úteis nessa primeira fase do Ciclo da Violência”, explica a promotora.

Faça o teste da cartilha do projeto “MP PRESENTE: MULHER PROTEGIDA” e veja se você está correndo PERIGO

Marque com um ‘X’ quando a resposta for SIM
Ele maltrata ou mata seus animais de estimação?
Ele controla o tipo de roupa que você usa?
Ele a afasta de amigos e parentes ou a proíbe de trabalhar?
Ele diz que você não precisa trabalhar ou estudar, pois cuidará de você?
Você tem medo de ficar sozinha com seu marido ou companheiro?
Sente-se isolada, acuada?
As brigas e as agressões estão ficando cada vez mais frequentes e mais graves?
Durante as brigas ele parece estar ficando sem controle?
Ele destrói seus objetos, roupas, fotos, documentos, móveis ou seus instrumentos de trabalho?
Ele faz questão de lhe contar que tem uma arma ou a exibe para você?
Ele tem envolvimento com criminosos e lhe ameaça dizendo que alguém ‘fará o serviço sujo’ por ele?
Quando você tenta se separar ele fica telefonando, faz escândalo na porta da sua casa ou trabalho?
Ele ameaça seus parentes ou amigos?
Ele persegue você, demostra ciúmes excessivos, tenta controlar sua vida e as coisas que você faz?
Ele é violento com outras pessoas?
Ele já a obrigou a manter relações sexuais contra a sua vontade?
SE VOCÊ RESPONDEU SIM A PELO MENOS UMA DESTAS QUESTÕES, PROCURE A REDE DE ATENDIMENTO
Fonte: Ministério Público de Rondônia

De acordo com levamento feito pelo g1, com dados da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), entre os meses de janeiro e setembro deste ano, 7.886 ocorrências foram registradas como violência doméstica nas delegacias do estado.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Veja no quadro abaixo o número de ocorrência por crimes do rol da violência doméstica.

Violência doméstica: ocorrências registradas entre janeiro e setembro de 2021 em Rondônia

AmeaçaCalúniaDifamaçãoInjúriaLesão corporalVias de fatototal
4.098561214292.9762067.886
Fonte: Sesdec-RO

A delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento a Mulher (Deam), Amanda Ferreira Levy, pontua que é muito importante que as denúncias sejam feitas formalmente através dos canais oficiais, como por meio de do disque 180, que é o portal do Governo Federal, ou pelo canal 197 da Polícia Civil. A pessoa não precisa se identificar.

“No momento em que a pessoa faz a denúncia, é importante que ela ofereça o maior número de dados possíveis tanto da vítima como do agressor. Dados de localização, endereço, telefone, local de trabalho para que a gente consiga iniciar o procedimento de investigação. O contato da vítima é de extrema importância, pois é o meio mais rápido que temos de falar com a vítima”, destaca a delegada.

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, fica localizada na Unisp Zona Leste de Porto Velho, no endereço da Avenida Amazonas 8145 no bairro Escola de Polícia — Foto: Jheniffer Núbia/g1
Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, fica localizada na Unisp Zona Leste de Porto Velho, no endereço da Avenida Amazonas 8145 no bairro Escola de Polícia — Foto: Jheniffer Núbia/g1

A Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher, em Porto Velho, está localizada na Unisp Zona Leste, no endereço da Avenida Amazonas n° 8145, bairro Escola de Polícia.

g1 listou telefones em mais de 20 cidades do estado, onde as mulheres podem buscar auxílio durante o período de isolamento social.

Confira a lista telefônica:

Alvorada D’ Oeste

Polícia Militar: 3412-2770
Polícia Civil – UNISP: 3412-2740 | 3412-2619
Ministério Público: 127 | 0800 647 3700
CRAS – SEMADES: 3412 3951 | 98409-7673

Ariquemes

Polícia Militar: 3535-3995
Delegacia da Mulher – UNISP: 3536-8425
Fórum (Núcleo Psicossocial): 3535-5099
Ministério Público: 3535-3519
Defensoria Pública: 3536-8665 | 99246-1794
CRAS: 3536-0508
CREAS: 3536-8098
SEMDES: 3536-0206

Buritis

Polícia Civil: 3238-2950
Ministério Público: 3238-2979 | 3238-2994 | 98408-9930
Defensoria Pública: 3238-3559 | 99242-9467
Fórum: 3238-2860 | 3238-2910 | 98473-7164
CREAS: 99255-3541

Cacoal

Delegacia Especial da Mulher: 3441-6760
Ministério Público: 98408-9936
CREAS: 3907-4227 | 99946-5169

Cerejeiras

Polícia Civil: 3342- 2436
Polícia Militar: 3342- 2362
Ministério Público: 3342- 2357
Defensoria Pública: 3342- 3341
Fórum (Núcleo Psicossocial): 3342-2119
CRAS: 3342- 2137
CREAS: 3342- 4012
SEMAS: 3342- 2443

Colorado do Oeste

Polícia Civil: 3341-2495
Polícia Militar: 3341-2425
Ministério Público: 3341-2866
Defensoria Pública: 3341-1390
Fórum (Núcleo Psicossocial): 3341-3021 | 3341-3022
CREAS: 3341-4209

Costa Marques

Policia Militar: 3651-2362
Policia Civil: 3651-2300
Ministério Público: 98411-8492

Guajará-Mirim

Delegacia da Mulher e da Família: 3541-2521 | 3541-2021
Ministério Público: 3541-3266
CREAS: 3541-2101

Governador Jorge Teixeira

CRAS: 3524-1104 ou 3527-1140

Jaru

Polícia Civil: 3521-5206
Ministério Público: 3521-1955
Defensoria Pública: 3521-5533 | 99272-2348
CREAS: 3521-5547

Ji-Paraná

Ministério Público: 3421-4088 ou 9 8408-9940

Machadinho D’Oeste

Polícia Militar: 3581-2190
Polícia Civil: 3581-2390
Ministério Público: 3216-3770 | 98408-9921

Nova Mamoré

Polícia Civil: 3544-3024
CREAS: 3544-2788

Ouro Preto do Oeste

Polícia Militar: 98485-1294
Polícia Civil: 3461-2355
Ministério Público: 3461-3525 | 98408-9941
Defensoria Pública: 99273-9461
CREAS: 99976-8491

Pimenta Bueno

Policia Militar: 3451-3590
Policia Civil: 3451-3918
Ministério Público: 3451-2663 | 3451-8520
Fórum: 3451-2477 | 3451-2819
CREAS: 3451- 2439

Porto Velho

Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher: 3216-8855 | 3216-8800 | 98479-8760
Ministério Público: 98408-9931 | 99977-0127 | 99970-7656
Defensoria Pública: 99204-4715 | 99208-4629
Juizado de Violência Doméstica Contra a Mulher: 98455-3277
CREAS: 98473-4725

Presidente Médici

Policia Civil: 3471-2396
Ministério Público: 3471-2427
Defensoria Pública: 3471-3405
CREAS: 3471-1087

Santa Luzia D’Oeste

Polícia Militar: 3434-2202
Ministério Público: 3434-2317
Defensoria Pública: 3434-2228 | 99286-8083
Fórum: 3434-2439

Theobroma

CRAS: 3523-1091

Urupá

Polícia Militar: 3413-2461 | 99295-5450
Polícia Civil: 3413-2732
Ministério Público: 127 | 0800 647 3700
CRAS: 3413-2511

Vilhena

Centro de Atendimento à Mulher: 3322-6486
Delegacia de Especial de Atendimento à Mulher: 3322-5851
Ministério Público: 3322-3255 | 98408-9945
UNISP: 3322-3001
CREAS: 3322-3399

G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *