Documento de 1926 não é ‘passaporte sanitário’ do Partido Fascista italiano?

Documento de 1926 não é ‘passaporte sanitário’ do Partido Fascista italiano?

Circula pelo WhatsApp a imagem de um documento do Partido Nacional Fascista, da Itália, datado de 1926. De acordo com a descrição, seria um “passaporte sanitário” imposto à época pela legenda, que governou o país europeu de 1922 a 1943. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Passaporte Sanitário do Partido Nacional Fascista Italiano – 1926
A história se repete, porque as dinastias de criminosos permanecem no comando do planeta a (sic) séculos.”
Legenda de imagem que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Na verdade, o documento mostrado na imagem é uma carteira de identificação utilizada por filiados ao Partido Nacional Fascista (PNF) da Itália. Em vez de nomes de vacinas, como as publicações sugerem, cada um dos quadrados trazia escrito um mês do ano e era carimbado quando o membro pagava sua contribuição ao partido. Não havia qualquer informação de saúde registrada no documento.

Fazendo a busca reversa da imagem, é possível encontrar a mesma carteira de identificação da postagem sendo vendida em um site italiano voltado a colecionadores por 75 euros, o equivalente a R$ 485. Nela é possível observar os doze meses do ano identificados em sequência em uma tabela que aparece carimbada. Na página, o item é descrito como “tessera PNF”, termo em italiano para “cartão PNF”.

Esses cartões eram utilizados para identificar filiados ao partido. Na capa eram impressos uma arte e um código numérico. Na parte interna eram escritos os dados pessoais do membro junto a um juramento. Atrás havia uma tabela com meses do ano usada para comprovar o pagamento das contribuições.

Em 1933, o regime fascista tornou obrigatória a filiação ao PNF para todos os funcionários ligados a órgãos da administração estatal, incluindo escolas. Nos últimos meses, o “certificado verde” italiano, comprovação de saúde que vem sendo exigida para acessar diversos espaços, tem sido comparado ao cartão de identificação do PNF pelo fato de ambos impedirem os trabalhadores que se recusam a buscá-los de exercer suas funções. No entanto, o documento do século 20 não registrava informações de saúde, dessa forma não caracterizando um passaporte sanitário como alegam as postagens.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa.

Lupa

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *