É antigo e foi gravado na Síria vídeo que mostra supostas execuções do Talibã?

É antigo e foi gravado na Síria vídeo que mostra supostas execuções do Talibã?

Circula pelas redes sociais um vídeo que mostra vários homens ajoelhados sendo executados por um grupo de pessoas com máscaras no rosto. O texto que acompanha a gravação afirma se tratar de um “julgamento sumário” do Talibã que teria acontecido nesta semana, após o grupo extremista conseguir tomar Cabul, capital do Afeganistão. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“O Talibã já começou os ‘julgamentos’ coletivos. As sentenças são fortes.”
Legenda de vídeo que circula pelo WhatsApp

FALSO

O vídeo analisado pela Lupa é antigo e não foi gravado no Afeganistão. Portanto, não tem qualquer relação com a tomada de Cabul pelo grupo extremista afegão, no último domingo (15). Na verdade, a gravação foi feita no início de 2014 na Síria, meses depois que grupos rebeldes extremistas islâmicos tomaram o hospital Al-Kindi, em Aleppo — a cerca de 3 mil quilômetros da capital afegã. Soldados sírios que defendiam o local foram presos e, mais tarde, executados. O vídeo registra esse incidente.

Uma busca reversa das imagens dessa gravação mostrou que ela circula desde março de 2014 nas redes sociais. Não foi possível precisar o dia exato em que os assassinatos ocorreram. Um texto publicado em 24 de março daquele ano, com link para o mesmo vídeo que circula atualmente nas redes sociais, relata que o registro ocorreu três meses depois da tomada do hospital Al-Kindi e atribui a responsabilidade a integrantes do Estado Islâmico e da Jabhat al-Nusra. A página da Organização para a Democracia e Liberdade na Síria também cita a gravação, sem dar muitos detalhes, em post de 28 de março de 2014.

A execução dos soldados também é exibida em um documentário de 2016 da Anna, uma agência de notícias russa, sobre o conflito naquela unidade de saúde. Os soldados sírios assassinados são tratados como heróis. Algumas reportagens de outros veículos publicadas posteriormente também citam o episódio e mostram algumas das imagens presentes na gravação.

O vídeo vem sendo utilizado erroneamente como registro de uma execução comandada pelo Talibã. No último domingo (15), o grupo tomou a capital do Afeganistão. Muitos moradores tentam deixar o país, com medo de possíveis restrições que podem vir a ser impostas. Na terça-feira (17), o Talibã apelou para que a população voltasse a sua rotina e prometeu que não haveria restrições severas contra mulheres. Contudo, pelo menos três pessoas foram mortas e 12 ficaram feridas, depois de um protesto contra o grupo na cidade de Jalalabad na última quarta.

Nas redes sociais, a Lupa também identificou um segundo vídeo tirado de contexto. As imagens mostravam uma mulher sendo executada. Contudo, o caso aconteceu em novembro de 2015 na Síria — ou seja, também não tem relação com o conflito recente no Afeganistão. 

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de Lupa

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