É falso que a Covid-19 foi controlada na Índia após adoção da ivermectina?

É falso que a Covid-19 foi controlada na Índia após adoção da ivermectina?

Circula pelo WhatsApp um texto que afirma que a pandemia da Covid-19 foi “controlada completamente” na Índia após a suspensão da vacinação. O conteúdo também sugere que a ivermectina foi adotada em todo o país asiático e ajudou no controle da doença. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“A Índia acaba de reabrir o seu maior ponto turístico, o Taj Mahal, pois o covid foi controlado após a suspensão da vacinação em massa em maio de 2021 e a adoção da Ivermectin em todo país (a Índia é um dos maiores produtores mundiais da ivermectina). Era um país de 1.400.000.000 de habitantes que estava incinerando cadáveres em praças públicas em abril-maio. Daí suspendeu a vacinação massiva, controlou completamente a COVID-19 ao ponto de poder reabrir o turismo. […]”

Texto que circula em grupos de WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Ao contrário do que o texto sugere, não houve “suspensão da vacinação em massa” na Índia, e a queda — e não “controle total” — do número de casos da doença no país nas últimas semanas não tem relação com a ivermectina, antiparasitário sem eficácia comprovada contra o SARS-CoV-2.

Em abril, o número de novos casos de Covid-19 na Índia disparou, até atingir seu ápice em 6 de maio, com 414 mil registros. Para tentar conter a transmissão do vírus, ao menos metade dos estados determinou medidas rigorosas de restrição de circulação. Foi o lockdown o responsável por tirar a Índia da liderança do número de mortes diárias por Covid-19 — posto ao qual o Brasil retornou nesta quarta-feira (23).

Também não houve “suspensão da vacinação em massa” na Índia. De acordo com o painel Our World in Data, da Universidade de Oxford, a imunização no país asiático não apresenta qualquer evidência de interrupção e segue crescendo, ainda que em ritmo menor que no Brasil. Até quarta-feira, 17,5% da população indiana havia recebido ao menos uma dose da vacina contra a Covid-19.

Neste momento, a curva de novos casos da doença está em queda, com média móvel de 54 mil — ou seja, ainda não há “controle total”, como o texto sugere. Mas a queda, de fato, motivou a reabertura do Taj Mahal, principal ponto turístico indiano, em uma tentativa de movimentar a economia local. O monumento estava fechado desde 16 de abril, por causa do aumento no número de casos na região. Contudo, o número de visitantes foi limitado para diminuir a circulação de pessoas no monumento. No ano passado, o local ficou fechado por seis meses.

Ivermectina

No dia 7 de junho, a Diretoria Geral de Serviços de Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde indiano, atualizou suas diretrizes de tratamento à Covid-19 e retirou a recomendação de substâncias como a ivermectina e a hidroxicloroquina para tratar pacientes leves e assintomáticos. Segundo as novas diretrizes, pacientes assintomáticos não devem tomar qualquer medicamento, enquanto pacientes com sintomas leves devem tratar a febre e a tosse, se necessário.

A indicação de remédios sem eficácia comprovada se tornou um problema de saúde pública na Índia. E assim como no Brasil, médicos indianos defendem a liberdade do médico de recomendar medicamentos que julgar necessários para proteger a saúde do paciente.

Ao menos 2 estados indianos planejavam distribuir a ivermectina para tratar a Covid-19, mesmo com os alertas da Organização Mundial da Saúde (OMS) para restringir o uso do medicamento apenas a pesquisas clínicas, informou uma reportagem da Reuters em maio.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa.

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de Lupa

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