É falso que CDC dos EUA afirmou que variante do coronavírus é a ‘própria vacina’?

É falso que CDC dos EUA afirmou que variante do coronavírus é a ‘própria vacina’?

Circula pelas redes sociais que o Centro de Controle e Voltarenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos teria afirmado que a “variante é a própria vacina”, em referência à variante delta do novo coronavírus. A publicação sugere que o órgão teria “finalmente admitido” que pessoas vacinadas espalham variantes do vírus que causa Covid-19 e que, por isso, devem usar máscaras. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa​:

“‘Variante é a própria vacina’ (…)”
Texto em post compartilhado no Instagram que, até as 10h45 do dia 2 de agosto de 2021, tinha mais de 375 curtidas

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Nenhuma vacina contra a Covid-19 pode ser considerada uma variante do coronavírus. Os imunizantes disponíveis atualmente foram desenvolvidos a partir de diferentes tecnologias, entre elas a de vírus inativado, de RNA mensageiro e de vetor viral. “Em nenhum desses casos é usado um vírus inteiro para produzir o imunizante, ou seja, capaz de se multiplicar e se disseminar entre as pessoas”, explica o professor Aguinaldo R. Pinto, chefe do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). 

No caso das vacinas feitas com vírus inativado, como é o caso da CoronaVac, por exemplo, desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan, usa-se um vírus “morto”, ou seja, incapaz de fazer mal ao organismo humano e de se multiplicar. Já a vacina da Pfizer/BioNTech usa apenas uma molécula de RNA do coronavírus. As vacinas da Janssen e da AstraZeneca, por sua vez, utilizam como plataforma um adenovírus (causador de resfriados comuns) como vetor viral, ou seja, esse adenovírus é enfraquecido e “programado” para carregar apenas uma proteína do coronavírus e, dessa forma, induzir o organismo a criar uma resposta imunológica. 

Além disso, as quatro variantes do novo coronavírus já conhecidas até o momento surgiram antes das campanhas de imunização em massa mundo afora. A primeira delas, chamada de alfa (B.1.1.7), surgiu em setembro de 2020 no Reino Unido — lá, as primeiras doses foram aplicadas no começo de dezembro. As variantes gama e beta foram ambas identificadas no final de 2020, no Brasil (Manaus) e na África do Sul, respectivamente. Por fim, a variante delta foi identificada na Índia em outubro do ano passado, também meses antes das campanhas de vacinação.

De acordo com o chefe do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, variantes são comuns e fazem parte da evolução dos seres vivos. No caso dos vírus (estruturas acelulares), eles se multiplicam muito rapidamente e por isso essas “evoluções” também são percebidas depressa. “As variantes dos vírus podem surgir de repente, em razão de alguma pressão seletiva ou por obra do acaso. Por exemplo, ao fazer uma cópia dele mesmo, ‘comete um erro’ que muda um nucleotídeo do genoma. Isso vai conferir uma vantagem ou desvantagem. Se for vantagem, torna-se uma nova variante. Se conferir uma desvantagem, aquele vírus morre”, explicou, por telefone. 

Ainda segundo o professor, não se pode dizer que as vacinas induzem as novas variantes. “A variante identificada no Brasil surgiu quando não tínhamos começado a vacinação. Ainda não é possível fazer essa associação com os vacinados”, concluiu.


“O CDC finalmente admite que pessoas totalmente vacinadas ‘espalham variantes’ e devem usar máscaras… ”

Texto em post compartilhado no Instagram que, até as 10h45 do dia 2 de agosto de 2021, tinha mais de 375 curtidas

EXAGERADO

A informação analisada pela Lupa é exagerada e distorce as diretrizes anunciadas pelo CDC sobre o uso de máscaras. Em 27 de julho, o órgão voltou a recomendar que a peça seja usada em ambientes fechados  — a regra havia sido afrouxada em maio. A medida foi tomada diante da preocupação com a variante delta do novo coronavírus, que se espalha mais rapidamente e com mais facilidade em comparação com as outras. Diferentemente do que sugere a publicação, em nenhum momento o CDC “admite” que pessoas vacinadas “espalham” variantes. 

Na verdade, o CDC enfatiza que as vacinas disponíveis no país oferecem alta proteção contra casos graves e hospitalização pela nova variante do coronavírus, mas não impedem que ela seja transmitida. Ou seja, uma pessoa totalmente imunizada só irá transmitir o vírus caso seja infectada por ele ou por uma de suas variantes – portanto, não irá espalhar a doença só porque tomou as doses. 

A variante delta foi detectada pela primeira vez nos Estados Unidos em março de 2021. De acordo com o CDC, embora as vacinas autorizadas no país funcionem contra ela, a recomendação para evitar que se espalhe mais é que, além de tomar a vacina, as pessoas sigam usando máscaras como forma de proteger a si mesmas e aos outros, evitem aglomerações e locais fechados sem ventilação e mantenham cerca de 2 metros de distância de outros indivíduos.

Nota:‌ ‌esta‌ ‌reportagem‌ ‌faz‌ ‌parte‌ ‌do‌ ‌‌projeto‌ ‌de‌ ‌verificação‌ ‌de‌ ‌notícias‌‌ ‌no‌ ‌Facebook.‌ ‌

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de G1

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