É falso que fumaça preta de crematório de Porto Alegre foi causada pelo excesso de corpos?

É falso que fumaça preta de crematório de Porto Alegre foi causada pelo excesso de corpos?

Circula pelas redes sociais uma foto que mostra uma fumaça preta saindo da chaminé de um crematório de Porto Alegre (RS). De acordo com a publicação, a cor preta da fumaça seria um fato “inédito” e teria sido causada pelo excesso de corpos cremados. Por meio do ​projeto de verificação de notícias​, usuários do Facebook solicitaram que esse material fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação da Lupa:

“Essa imagem da fumaça preta do crematório de Porto Alegre – causada pelo inédito excesso de corpos – tem de ser juntada aos autos do processo em Haia.E, queiramos ou não, sem desrespeitar outra tragédia de proporções dantescas, faz lembrar, em vez de Haia, Nuremberg.”

Texto em post publicado no Facebook que, até as 13h30 do dia 23 de março de 2021, tinha 1,8 mil compartilhamentosFALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A fumaça preta que saiu da chaminé de um crematório em Porto Alegre foi causada por uma falha no gerador de energia e, como consequência, no forno, e não provocada por um “excesso de corpos”. Em 19 de março, o gerador do Angelus Memorial e Crematório não ligou imediatamente após uma queda de luz. Com isso, a câmara secundária do forno, responsável pela queima dos gases e resíduos provenientes da combustão, parou. Em vez de liberar apenas vapor, como é usual, a câmara emitiu fumaça.

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) do Rio Grande do Sul, órgão responsável pela regulamentação e fiscalização das atividades de cremação, prevê que estabelecimentos como esse devem obrigatoriamente ter um gerador com partida automática para que o processo de cremação seja concluído em caso de falta de energia elétrica e, também, “para que o forno continue realizando a queima dos gases e seja mantido o monitoramento das emissões.”

E foi justamente um problema no gerador que causou a parada de uma das câmaras do serviço funerário gaúcho. Por telefone, o gerente da unidade, Leandro Dias Duarte, explicou que o forno de cremação é controlado por um computador e que todo o processo é automatizado. “Temos a câmara primária, onde fica o caixão, e a câmara secundária, que é onde se queimam os gases. Na chaminé, o que sai é apenas vapor da caloria. Em razão do atraso entre a queda de luz e o acionamento do gerador, saiu aquela fumaça. O problema durou 10 minutos. Se o gerador não tivesse ligado, a fumaça seguiria saindo e isso não tem a ver com a quantidade de corpos”, explicou. Pela legislação, crematórios não podem emitir nenhum tipo de fumaça.

Número de cremações aumentou

Embora a fumaça preta não tenha sido causada especificamente pelo excesso de corpos, o número de cremações dobrou no Angelus Memorial e Crematório. De acordo com o gerente, o aumento começou a ser percebido a partir da segunda quinzena de janeiro deste ano. “No ano passado, a unidade cremava em torno de 100, 120 corpos por mês. Agora dobrou, são cerca de 240 por mês. Aqui [unidade no bairro Medianeira] não temos capacidade, então alguns dos corpos são encaminhados para serem cremados em nossa filial, localizada no município de Capão do Leão”, disse, por telefone.

Uma reportagem do G1 mostrou que, somente na capital gaúcha, a demanda por cremações no mês de fevereiro deste ano aumentou 67,8% em comparação ao mesmo período de 2020. Em 12 de março, a Fepam publicou um decreto autorizando crematórios a operarem na capacidade máxima durante a pandemia do novo coronavírus.  Fonte:Lupa

Fonte: https://noticiageral.com/

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