É falso que menina teve eventos adversos da vacina que a levaram à morte em Maceió?

É falso que menina teve eventos adversos da vacina que a levaram à morte em Maceió?

Circula nas redes sociais um vídeo de uma menina sendo vacinada contra a Covid-19. Após receber a dose no braço, ela defende a campanha de imunização e diz que somente com essa proteção haverá dias melhores. A legenda da gravação afirma, no entanto, que S. teria morrido três dias depois, em decorrência dos eventos adversos da vacina, em Maceió (AL). Ela teria apresentado encefalite. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“[S.], essa garotinha do vídeo, faleceu aqui em Maceió. Encefalite 3 dias após a vacina”

Texto que é apresentado em vídeo compartilhado no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. A menina que aparece no vídeo estava viva até a publicação desta checagem. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, ela foi hospitalizada porque teve Covid-19 e apresentou complicações graves – ou seja, seu quadro clínico não foi uma consequência da vacina. A pasta informou que S., de 9 anos, contraiu a doença antes de ser vacinada, o que era desconhecido de sua família. Até o momento da publicação desta checagem, ela permanecia internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital da Mulher, em Maceió. A menina deu entrada no hospital no dia 9 deste mês.

A menina teve aproximadamente 75% de seu pulmão comprometido pela Covid-19 e sofreu um acidente vascular cerebral de alta gravidade. A secretaria ressaltou que não procede a informação de que ela desenvolveu complicações em razão da vacina. “No momento, a paciente encontra-se sem sedoanalgesia e não apresenta despertar neurológico satisfatório, contudo mantém reflexos do tronco cerebral presentes”, diz a nota enviada pela pasta.

Após o vírus ser contraído, há um intervalo de dois a 14 dias para o desenvolvimento da doença (chamado de período de incubação). Já a expectativa para que a vacina produza a resposta imunológica necessária para evitar a infecção é de cerca de 14 dias. “Se há infecção antes desses 14 dias, é possível que a vacina não tenha atingido o efeito pretendido”, diz Igor Thiago Queiroz, infectologista integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia. Além disso, as vacinas aplicadas em crianças atualmente no Brasil requerem duas doses para que haja proteção completa.

Existe um processo para que seja constatado que o quadro clínico apresentado pelo paciente é decorrente de um evento adverso da vacina. Ou seja, não basta apenas a notificação dos sintomas. “É feita uma análise (…) que verifica todos os sinais e sintomas que foram relatados. A avaliação é realizada pelos órgãos competentes, normalmente por grupos de infectologistas ligados ao Ministério da Saúde e à Secretaria de Estado da Saúde, que vão analisar os dados, verificar a procedência do lote [da vacina] e os sintomas da criança. Só depois é que se pode concluir se aquilo realmente é ou não uma reação vacinal ou se é necessário a realização de exames complementares”, diz Fausto Flor Carvalho, presidente do departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa.

Lupa

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.