É falso que pesquisa mostrou que 82% das grávidas sofrem aborto espontâneo após vacina?

É falso que pesquisa mostrou que 82% das grávidas sofrem aborto espontâneo após vacina?

Circula pelas redes sociais que um estudo publicado no New England Journal of Medicine indicou que 82% das grávidas que foram vacinadas contra a Covid-19 durante os primeiros os primeiros meses de gravidez sofreram aborto espontâneo. Por WhatsApp, leitores da Lupa sugeriram que esse conteúdo fosse analisado. Confira a seguir o trabalho de verificação​:

“Estudo: 82% das grávidas que goram vacinadas contra covid durante os primeiros seis meses sofrendo aborto espontâneo. Pesquisa foi publicada no New England Journal of Medicine e revelação aconteceu inadvertidamente”
Texto em imagem publicada no WhatsApp

FALSO

A informação analisada pela Lupa é falsa. Publicado no New England Journal of Medicine, o estudo “Descobertas preliminares da segurança da vacina de mRNA Covid-19 em pessoas grávidas” não indicou que 82% das grávidas que tomaram a vacina contra a Covid-19 sofreram com abortos epontâneos. Na verdade, a pesquisa informa um percentual de 12,6%, considerado dentro do esperado, e sinaliza que os dados encontrados até o momento não mostram sinais preocupantes relacionados à segurança dos imunizantes em gestantes. 

Ao todo, 3.958 mulheres grávidas vacinadas de 16 a 54 anos de idade participaram do estudo. Apenas 827 concluíram a gestação até o período em que os pesquisadores começaram a analisar os números — a maioria, portanto, continuava grávida. Isso é esperado: todas as participantes, em diferentes estágios da gravidez, foram vacinadas entre 14 de dezembro e 28 de fevereiro de 2021, e os dados foram coletados até o dia 30 de março. Ou seja, o período de realização da pesquisa foi significativamente menor do que a duração normal de uma gestação humana.

O estudo indica que, das 827 gestações concluídas, 104 foram abortos espontâneos (96 deles no primeiro trimestre) o que corresponde a 12,6% do total — e não 82% como indicado na imagem. Segundo o estudo, o valor esperado estava entre 10% e 26%. Uma mulher perdeu o bebê depois das 20 semanas de gestação. Em todos os outros casos, o bebê nasceu vivo — o número de recém-nascidos prematuros, pequenos para a idade gestacional ou com problemas congênitos também estão dentro da margem esperada.

“Embora não seja diretamente comparável, as proporções calculadas de gravidez adversa e resultados neonatais em pessoas vacinadas contra Covid-19 que tiveram uma gravidez completa foram semelhantes às incidências relatadas em estudos envolvendo mulheres grávidas que foram conduzidos antes da pandemia de Covid-19”, informou o estudo.

82%

O percentual de 82% citado neste conteúdo desinformativo parte de uma interpretação errônea dos dados apresentados na pesquisa. Como explicado acima, 827 gestações foram concluídas, das quais 105 não foram bem sucedidas. Dos casos bem sucedidos, 700 foram de mulheres que se vacinaram quando já estavam no último trimestre de gravidez. O site americano LifeSiteNews, conhecido por publicar teorias da conspiração, simplesmente subtraiu os 827 casos bem sucedidos pelo total de mulheres que se vacinaram no último trimestre de gravidez e tiveram filhos, chegando a 127 — e concluiu que 105 de 127 mulheres que imunizadas antes do terceiro trimestre, ou 82,6%, perderam seus bebês. O mesmo texto foi adaptado para o português pelo site de extrema-direita Aliados Brasil.

Essa lógica é falaciosa. Como explicado anteriormente, a maioria das mulheres avaliadas no estudo ainda estava grávida, porque o período entre a vacinação e a coleta de dados, de no máximo três meses e meio, é menor do que a duração de uma gestação humana. Das 3.958 mulheres, 92 tinham sido vacinadas antes de engravidar e 1.132 foram vacinadas durante o primeiro trimestre. Ou seja, pelo menos 1.097 ainda carregavam o bebê quando os dados foram coletados.

Por último, vale ressaltar que a conclusão do estudo indica que é necessário realizar mais pesquisas sobre o assunto.  “Um acompanhamento mais longitudinal, incluindo o acompanhamento de um grande número de mulheres vacinadas no início da gravidez, é necessário para informar os resultados maternos, da gravidez e do bebê”, diz o texto.

Esse conteúdo também foi avaliado pelo site de checagens Health Feedback.

Esta‌ ‌verificação ‌foi sugerida por leitores através do WhatsApp da Lupa.

Fonte: https://noticiageral.com – com informações de Lupa

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