Em 36 anos, Brasil teve quase 20% de seu território queimado, diz levantamento

Em 36 anos, Brasil teve quase 20% de seu território queimado, diz levantamento

Entre 1985 e 2020, o Brasil queimou 1,67 milhão de km2, ou 19,6% do país, ou uma área maior que a Inglaterra a cada ano. 65% das terras queimadas eram de vegetação nativa, com os estados de Mato Grosso, Pará e Tocantins sofrendo a maioria dos incêndios. A informação vem de um levantamento inédito realizado pelo Projeto MapBiomas após análise de fotos de satélites, divulgado nesta segunda-feira (16).

Embora os maiores aumentos na área queimada tenham ocorrido no Brasil durante anos de seca extrema (1987, 1988, 1993, 1998, 1999, 2007, 2010, 2017), as taxas de desmatamento excessivo, principalmente antes de 2005 e após 2019, tiveram um impacto significativo sobre o aumento da área queimada nessas épocas. De acordo com os dados, a estação seca, que vai de julho a outubro, concentra 83% de todas as chamas e queimadas no país.

Pantanal é região mais atingida

O Cerrado e a Amazônia respondem por 85 por cento das terras queimadas nos últimos 36 anos, enquanto o Pantanal foi o mais danificado dos cinco biomas brasileiros, com 57 por cento de suas terras queimadas pelo menos uma vez entre 1985 e 2020. A vegetação campestre foi foi atingido mais. De acordo com o relatório, as plantas adquirem biomassa durante as estações chuvosas e a vegetação seca gera combustível para o fogo durante os períodos de seca no bioma.

A vegetação do Pantanal se adaptou ao fogo, embora a alta frequência possa ser destrutiva para a biodiversidade na vida selvagem e na flora. “As dúvidas sobre o uso do fogo devem ser integradas às condições da pastagem de forma preventiva e controlada, seguindo os ciclos pantaneiros e as circunstâncias meteorológicas adequadas, com o objetivo de salvaguardar o bioma”, disse Eduardo Reis Rosa, coordenador da MapBiomas Pantanal.

“Ao contrário do Cerrado, onde o fogo natural faz parte de sua dinâmica evolutiva, a Amazônia não é um bioma onde o fogo faz parte da dinâmica natural do ecossistema”, afirma a pesquisadora Ane Alencar, coordenadora da MapBiomas Fogo.

De acordo com a pesquisa, incêndios ocasionais também estão relacionados a incêndios em grandes extensões como forma de manejo.

“O fogo é uma questão a ser enfrentada pelas características do bioma, que se aliam a fenômenos climáticos como a seca e os ventos fortes. Rosa alerta que “questões relacionadas ao uso do fogo como meio de manejo em condições insuficientes podem resultar na formação de incêndios descontrolados em amplas áreas”.

Fonte: Mixrondonia

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