Em caso de desabastecimento de oxigênio, Sesau diz que não tem como socorrer hospitais municipais de RO

Em caso de desabastecimento de oxigênio, Sesau diz que não tem como socorrer hospitais municipais de RO

O Secretário Estadual de Saúde, Fernando Máximo, afirmou que o Estado não tem como socorrer as prefeituras do interior de Rondônia em caso de desabastecimento de oxigênio. A declaração foi dada na sexta-feira (12), em uma audiência na Justiça sobre medidas de isolamento em Porto Velho.

O secretário explicou que o governo não consegue atender os municípios porque a rede estadual usa oxigênio líquido em tanques, enquanto os municípios utilizam oxigênio gasoso em cilindros. Apenas três unidades do estado usam oxigênio em cilindros nas cidades de Buritis, São Francisco do Guaporé e no distrito de Extrema, em Porto Velho.

Procurado pela CBN Amazônia, o Governo de Rondônia declarou que o estado conta com um armazenamento considerável e descartou a possibilidade de falta de oxigênio na rede estadual. Os problemas seriam nas redes municipais.

Conforme o chefe da Secretaria de Estado de Saúde (Sesau), uma empresa fornece oxigênio para as unidades estaduais e para a prefeitura de Porto Velho. Para os outros municípios do estado, o fornecimento é realizado por outra empresa.

Ele explicou que desde a crise em Manaus (AM), pelo menos 10 reuniões já foram realizadas para garantir que o material não falte nas unidades estaduais, que reforçaram o estoque com reservatórios nos hospitais de campanha.

“O que está tendo problema agora é com as prefeituras. A outra empresa que fornece, ela não fabrica oxigênio, ela compra de outras que fabricam”, comentou.

Tanque de oxigênio reserva no Hospital de Campanha de Rondônia — Foto: Ítalo Ricardo/ Governo de Rondônia

Tanque de oxigênio reserva no Hospital de Campanha de Rondônia — Foto: Ítalo Ricardo/ Governo de Rondônia

No dia 15 de fevereiro, segundo Máximo, uma das empresas que fornece oxigênio avisou que “a outra empresa estaria com dificuldade de fornecer o gás no Acre” e a Sesau enviou um ofício para todos os municípios de Rondônia questionando se havia possibilidade de faltar o material. Até o dia 26 de fevereiro, nenhum município havia respondido o questionamento, segundo Fernando.

Outro ofício foi enviado e também não houve resposta. Já na quarta-feira (10), as cidades de Alta Floresta do D’Oeste, Cacoal, Guajará-Mirim e Santa Luzia D’Oeste relataram a possibilidade da falta de oxigênio.

“Então imediatamente nós mandamos um ofício para o Ministério da Saúde falando do alerta de quatro municípios. Duas horas depois que a gente tinha enviado o ofício para o Ministério da Saúde com o próprio governador também assinando, recebemos um comunicado da empresa. E o Ministério Público encaminhou [o comunicado] pra gente falando de 30 prefeituras que vão ter problemas nos próximos 15 dias”, afirmou.

Fernando Máximo disse também que ainda na noite quinta-feira (11), um novo ofício foi enviado ao MS, que retornou afirmando “estar tomando as providências”.

No final da tarde de sexta-feira (12), o Ministério Público Federal declarou à Rede Amazônica que o ministro Pazuello já teria um plano emergencial para garantir o abastecimento de oxigênio para Rondônia e Acre, por ar e por terra. O plano ainda não foi apresentado.

Cenário de caos no Amazonas

O estado vizinho passou por um cenário de caos com a falta de oxigênio, durante recordes nos casos de Covid, Manaus precisou enviar pacientes que dependiam dele para outros seis estados. Parentes de pessoas internadas tiveram que comprar cilindros com o gás por conta própria. O desabastecimento não afetou somente os pacientes com Covid: bebês e grávidas precisaram ser transferidos para não ficarem sem oxigenação.

O oxigênio é essencial para a sobrevivência humana. Sem ele, as células do nosso corpo não funcionam, e nós morremos.

Avanço da tragédia em Rondônia

 Sepultador durante pandemia da Covid-19 em Porto Velho — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Sepultador durante pandemia da Covid-19 em Porto Velho — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

Infectologistas dizem que Rondônia está no pior cenário da pandemia até agora. A rede pública de saúde está em colapso e a rede privada chegando a ele. Rondonienses precisam ser transferidos para outros estados por causa da fila de espera por leitos de UTI. A vacinação acontece a conta-gotas. Festas com aglomerações são flagradas diariamente. A tragédia avança com rapidez e os espaços nos cemitérios estão se esgotando.

  • a primeira morte por Covid foi registrada em Rondônia no dia 29 de março de 2020,
  • após 138 dias o estado chegou a 1.000 vítimas fatais,
  • 156 dias depois Rondônia chegava ao total de 2.000 vidas perdidas
  • e demorou apenas 47 dias para chegar aos 3 mil mortos

G1

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