Indígenas de RO recebem registro de comercialização do açaí: “Portas foram abertas para irmos mais longe”

Indígenas de RO recebem registro de comercialização do açaí: “Portas foram abertas para irmos mais longe”

A Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (COOPIRB), em Alta Floresta do Oeste (RO), recebeu o registro do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), para comercializar o açaí produzido na aldeia. Com isso, o produto pode atender o mercado nacional e internacional.

Desde a criação da Coopirb, administrada pelos povos indígenas Kanoé, Aruá, Makurap e Tupar, já foram produzidos 1,2 mil litros de polpa natural, sem conservantes químicos e 100% natural.

Comercialização liberada

Há dois anos, os indígenas transformam o fruto em polpa e com desempenho dos produtores e o desenvolvimento na produção, os indígenas se interessaram pelo mercado internacional.

Para que o produto produzido na aldeia conseguisse atingir novos compradores, um representante do Mapa foi até a TI Rio Branco e entregou o documento que libera as atividades. Antes do registro, a comercialização acontecia na própria região.

Produtores indígenas de açaí em RO sonham com o mercado internacional — Foto: divulgação

Produtores indígenas de açaí em RO sonham com o mercado internacional — Foto: divulgação

O presidente da cooperativa, Hellyson Duarte Kanoé, explica que, o sonho do mercado internacional está mais próximo.

“A gente não tinha muito conhecimento do mercado. Mas como ano passado produzimos mais de 1,4 mil litros do açaí, após muito aprendizados para chegar no melhor resultado do produto e comercialização local, decidimos buscar os meios para, então, sonhar com o mercado nacional e internacional”, disse.

A advogada Cássia Lourenço, que acompanha e orienta o grupo nos processos burocráticos, explica que o objetivo da produção também é a exportação do açaí.

“Apesar da grande produção e capacidade de expansão, a venda era um dos principais gargalos. Esse foi mais um grande passo. Com o registro em mãos, agora vamos organizar a documentação para iniciar a exportação do produto”, pontua.

O mundo é limite

Já com o registro, Kanoé conta houve o aumento da produção e investimento na estrutura da agroindústria.

“Fora o que já estava sendo produzido, a gente já recebeu uma demanda de 1,4 mil litros para serem entregues. A gente pretender chegar, até o final da safra, aos 4 mil litros. Nosso objetivo é aumentar a cada ano“, conta.

Produtores indígenas de açaí em RO sonham com o mercado internacional — Foto: Divulgação

Produtores indígenas de açaí em RO sonham com o mercado internacional — Foto: Divulgação

Segundo Kanoé, um dos focos para o futuro é adquirir maquinário para transformação do produto em creme e pó.

“Com registro do produto no Mapa, os horizontes vão se expandir ainda mais. A gente pode pensar na comercialização em grande escala. Nas estratégias que ajudarão bastantes. A gente sonha em comercializar também em creme e pó, pois assim pode facilitar, também, no transporte para outros estados e países”, explica.

Além disso, o presidente ressalta: “nossa região é rica e pode vender para outras regiões. Com o registro do Mapa, as portas foram abertas para irmos mais longe. É uma grande conquista para nossa aldeia”.

Os principais consumidores do açaí no mundo, segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), são Estados Unidos, Japão, Austrália, Alemanha, Reino Unido e Porto Rico.

G1

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