Pororoca: Expedição mapeia ondas gigantes nos rios da Amazônia

Pororoca: Expedição mapeia ondas gigantes nos rios da Amazônia

A pororoca pode voltar a fazer parte do roteiro turístico do Amapá. O estado, que entrou nas rotas dos caçadores desse que é um dos fenômenos naturais mais famosos do mundo, viu as grandes ondas sumirem na última década em uma das regiões. Uma expedição em outro trecho da costa amapaense mapeia a ocorrência do evento. A ideia é criar um “parque das pororocas”.

Mesmo com o fim da pororoca no Rio Araguari, o fenômeno causado pelo encontro das águas do Oceano Atlântico com as dos rios continua acontecendo com níveis de ondas diferentes no estado. A expedição é composta por velejadores e profissionais do turismo.

O grupo já identificou por meio de relatos e documentos duas possíveis pororocas no município de Oiapoque: na Vila Cassiporé e na Terra Indígena Uaçá. Presidente da Associação de Velejadores do Amapá, Jim Daves diz que existem mais de 10 pontos na costa amapaense onde o fenômeno ocorre.

“A gente tem delimitado que eles começam no arquipélago do Bailique e vão até o Uaçá, no extremo Norte. Na costa do Amapá a gente tem mais de 10 pororocas compreendidas. É possível ter pororocas que a gente não sabe que existam ainda”, relatou.

Presidente da Associação de Velejadores do Amapá, Jim Daves surfando pororoca — Foto: Arquivo pessoal/Jim Daves

O mapeamento feito pela equipe de pesquisa ainda indicou que as melhores ondas da pororoca no Norte do Amapá acontecem no 2º semestre, em razão disso a pesquisa foi iniciada este mês, disse Daves. Ao que tudo indica, é possível que o fenômeno ocorra o ano todo na costa.

“A gente vêm estudando que do Bailique até o Sucuriju as pororocas são melhores no 1º semestre. Ao contrário da pororoca do extremo Norte, que precisa de um nível mais baixo de rio e acontece no 2º semestre. Se confirmado, a gente vai ter pororoca o ano todo em diferentes locais do estado”, explicou.

Turismo e potencial econômico

A intenção do envolvidos na expedição é que o “parque das pororocas” percorra os mais de 600 quilômetros de extensão da costa do Amapá. A rota também é vista como uma oportunidade de fortalecer o turismo nas comunidades ribeirinhas da região.

“Além da pororoca, nós vamos atrás das outras potencialidades como o turismo comunitário, ecológico. Então vamos organizar todas essas informações para poder vender o turismo do Amapá”, disse a presidente da Associação Brasileira de Profissionais do Turismo, Alessandra Nunes.

Pororoca com ondas baixas na costa do Amapá — Foto: Arquivo pessoal/Jim Daves

O roteiro será importante tanto para atividade esportiva quanto à economia do estado, explicou o diretor de planejamento da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), Sandro Borges.

“O turista de surfe ou de observação da pororoca já deixa receita quando chega em Macapá, desde a passagem aérea, hospedagem, restaurante, guia turístico, agência, até chegar no ponto em que ele vai surfar ou visualizar a pororoca. É um dos turismos que mais pagam bem. A Secretaria vê o que mais pode ser trabalhado junto com a atividade do surfe, para o turista viver essa e outras experiências na Amazônia”, detalhou.

Antiga pororoca no rio Araguari — Foto: Stanley Gomes/Arquivo Pessoal

G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *